O dia em que Bananal ambientou crônica esportiva da Folha de S. Paulo.

Em janeiro de 2004 a Gazeta de Bananal noticiou que, meses antes, o município serviu de ambiente para uma divertida crônica do renomado jornalista esportivo José Roberto Torero, da Folha de S. Paulo. O jornal até reproduziu o fac símile da página com a fictícia estória. Vale a pena relembrar:


ARQUIVO GAZETA DE BANANAL – Janeiro de 2004

Bananal ambienta tema ficcional de cronista esportivo da Folha.

Em tempo, vale registrar que o caderno de Esportes da Folha de S. Paulo, do dia 03 de outubro, estampou numa de suas páginas uma crônica do jornalista esportivo José Roberto Torero com um tema ficcional ambientado em Bananal.
O jornalista tem o costume de entremear suas colunas opinativas, principalmente sobre futebol, com divertidas estórias fictícias do esporte nos mais variados pontos do país.
Na coluna em questão, Torero escolheu Bananal para ambientar a saga de um técnico “revolucionário” que tentava surpreender seus adversários atuando sem disciplina tática, primando em só realizar jogadas bonitas, sem se importar com o resultado dos jogos.
O nome da equipe fictícia é Grêmio Recreativo Bananal, que disputaria uma Copa do Café, tendo entre seus adversários o também fictício Operário de Barra Mansa.
José Roberto Torero é um dos mais expressivos colunistas esportivos da imprensa paulista. Fervoroso torcedor do Santos, costumava participar do programa dominical comandado por Juca Kfouri na Rede TV, antes da troca de apresentador ocorrida há pouco tempo.

Fac simile da crônica de Torero na página do caderno Esporte da Folha de S. Paulo.
  
FUTEBOL

Os técnicos: Hume
JOSÉ ROBERTO TORERO
COLUNISTA DA FOLHA

      Davi Hume nasceu em Bananal. Poucos abalaram tão profundamente a história do esporte bretão.
      Pelo menos em Bananal.
      Hume era um pensador natural. Segundo ele, nosso conhecimento do futebol está maculado por uma série de preconceitos que não têm correspondência com a realidade.
      Ao assumir o comando do time local, ele resumiu seu sistema numa frase. Ou melhor, em duas:
      - Vamos voltar a ser crianças! Vamos reaprender a jogar bola!
      Abandonando velhos esquemas, o Grêmio Recreativo Bananal entrava em campo sem ordenações táticas: os defensores atacavam, os atacantes defendiam, e os meio-campistas zanzavam pelo gramado, mais preocupados em descobrir novas possibilidades e em fazer jogadas bonitas do que em lutar pela vitória.
      Muito antes de Chilavert ou Rogério Ceni, o goleiro Fonsequinha se lançava ao ataque. E seus gols (foram vários) não nasceram de lances de bola parada, mas de tabelas e triangulações feitas com os companheiros de ataque.
      Havia momentos em que todos os jogadores se concentravam de um lado do campo e outros em que tentavam ir da defesa ao ataque dando apenas passes de cabeça. Tudo valia a pena, desde que fosse feito com a atitude de descobrimento e a abertura para a inovação que Hume exigia.
      Essa tática trouxe dois resultados imediatos: um, o Bananal passou a perder todos os jogos; dois, o Bananal passou a encantar as multidões.
      A diretoria, a princípio, pensou em demitir o treinador, mas depois, vendo as filas na bilheteria, deu carta branca para que fizesse o que bem entendesse.
      As coisas continuaram bem até o dia em que o Bananal venceu seu primeiro jogo: 9 a 8 contra o Operário de Barra Mansa.
      Outras partidas vieram, e o Bananal seguiu em seu caminho triunfante.
      Mas as vitórias tinham uma causa. É que os jogadores foram achando naturalmente posições fixas em campo e assumindo uma determinada ordem tática que os levava às vitórias.
      De nada adiantavam os gritos desesperados de Hume, exigindo que eles criassem e mantivessem a mente aberta. Os atletas tinham contas para pagar e precisavam dos bichos pelas vitórias.
      Hume deixou o time no dia em que este se classificou para a fase final da Copa do Café.
      Semanas depois, quando lhe informaram que seus ex-pupilos haviam sido campeões, foi como se lhe tivessem dado uma notícia de morte. Cabisbaixo, Hume afirmou tristemente:
     - Eles preferiram um troféu de lata ao ouro do conhecimento.
      O Bananal perdeu o título na temporada seguinte e, aos poucos, foi se tornando o time comum dos nossos dias.
      O estádio, que vivia lotado, hoje mal reúne uma dúzia de torcedores a cada partida.
      Hume mudou-se para Mangaratiba. A última notícia que recebi dele foi que estava feliz como técnico de um time de crianças.
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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.