Moeda do 1º Centenário da Independência é encontrada no centro histórico de Bananal



Na manhã do dia 23 de janeiro (quinta-feira), uma bananalense aposentada, de 67 anos, moradora do bairro Boa Esperança, encontrou entre os paralelepípedos que circundam a Praça Dona Domiciana, no centro histórico de Bananal, uma moeda de Mil Réis, cunhada há cerca de 98 anos.

Prestes a completar um século, curiosamente trata-se de uma moeda Comemorativa do Primeiro Centenário da Independência do Brasil, lançada pelo tesouro nacional entre 1922 e 1923. Naqueles dois anos foram fabricadas, na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, 16.698.000 unidades. Consta que 1.409.00 foram fabricadas em 1922 e outros 15.289.00 fabricadas em 1923. Todas elas com data de 1922.

A aposentada pediu para não ser identificada, mas contou que ao ver a moeda cor de bronze no chão, nas imediações da antiga Estação Ferroviária, pensou que fosse "uma pratinha" atual, de 25 centavos. Ao pedir para um rapaz verificar, foi informada de que se tratava de "uma moeda antiga".

A Fabricação da Moeda Comemorativa

Segundo informações do "Catálogo das Moedas Brasileiras", o material da moeda foi feito a base de bronze e alumínio. Ela tem 26,7 mm de diâmetro, com borda serrilhada de 2,20 mm e 8 gramas de peso.

Ela ficou conhecida como "Duas Caras" por trazer no anverso os bustos do Imperador D. Pedro I - que proclamou a Independência -, e do Presidente Epitácio Pessoa, 11º Presidente (1919-1922) que chefiava a República na época da celebração. Circundando os bustos está a inscrição "ACCLAM. DA INDEPENDÊNCIA ** X PRESID. DA REPÚBLICA - BRASIL". Também estão inscritos os nomes das duas personalidades históricas junto aos respectivos bustos.

No lado reverso ela possui uma tocha com dois ramos cruzados. Um com a coroa do Império e o outro com o Barrete da Liberdade. No lado da coroa consta o ano de 1822. No lado do barrete, 1922. No alto da circunferência vem inscrito "7 DE SETEMBRO", com o valor de 1000 REIS logo abaixo dele. Na parte inferior está a inscrição "CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA".




Valor de Mercado


Apesar do valor histórico, o valor de mercado da moeda encontrada em Bananal não é grande.

No meio numismático, alguns critérios de avaliação são empregados para conferir 0 valor de mercado das moedas antigas.  

A grande tiragem, de quase 17 milhões de unidades, desvaloriza essa moeda comemorativa. Quanto maior a tiragem, menor é o valor da peça, independente da época em que foi cunhada. 

Mais determinante ainda é o estado de conservação da moeda. A classificação é feita por siglas que descrevem a condição em que se encontra. Ela vai do estado quase perfeito - Flor de Cunho (FC) - até o UTG (Um Tanto Gasta). (Veja as 6 classificações ao final da matéria)

Tomando por base esses critérios, o valor de mercado da moeda do I Centenário da Independência pode variar entre R$ 700,00 (no estado de conservação mais perfeito) e R$ 10,00, no estado mais desgastado.

A moeda encontrada em Bananal apresenta pontos de desgaste nas inscrições do anverso, mas no reverso os detalhes da cunhagem original estão em ótimo estado.

CaraS ou Coroa

A aposentada declarou ter ficado encantada com a moeda do 1º Centenário da Independência por sua peculiaridade em ter os dois bustos de personalidades históricas. "Com ela a gente joga Caras (no plural) ou Coroa. Com as outras moedas não dá", brincou ela. A princípio, sua intenção é ficar com a moeda para mostrar aos netos, mas não descartou a possibilidade de vendê-la a um colecionador. "Desde que a oferta seja muito, mas muito boa", ressaltou com um sorriso nos lábios. 


Descrição dos estados de conservação        * Fonte: Wikipédia


  • Flor de Cunho, sigla FC (em inglês Uncirculated, sigla UNC) – Sem apresentar o menor sinal de desgaste ou manuseio, deve ter no campo o brilho original da cunhagem. Sua orla deve ser perfeitamente cilíndrica, sem apresentar mossas ou cerceamento. Todos os detalhes da cunhagem, mesmo os mais salientes, têm de apresentar sua aparência original. Não pode haver, sob nenhuma circunstância, sinais de limpeza física ou química da moeda.
  • Soberba, siglas S ou Sob (em inglês Extremely Fine, siglas XF ou EF ) – Deve apresentar aproximadamente 90% dos detalhes da cunhagem original. Deve ter no seu campo algum brilho da cunhagem e sua orla admite uma pequena imperfeição (menos de 10%) da sua aparência original, proveniente de um pequeno desgaste, ou pequeno sinal de manuseio. Admite-se sinais de uma limpeza, que não ocasione no seu campo riscos ou manchas.
  • Muito Bem Conservada, sigla MBC (em inglês Very Fine, sigla VF) – Deve apresentar aproximadamente 70% dos detalhes da cunhagem original, porém seu nível de desgaste deve ser homogêneo. Sua orla admite uma média imperfeição (menos de 20%) de sua aparência original, proveniente de um desgaste médio, ou um médio sinal de manuseio. Admite-se sinais de uma limpeza, mesmo que ocasione no seu campo pequenos vestígios de riscos ou manchas. Seu aspecto geral deve ser agradável e de fácil identificação.
  • Bem Conservada, sigla BC (em inglês Fine, sigla F) – Os detalhes da cunhagem original devem aparecer em aproximadamente 50%, admitindo-se que alguns detalhes estejam mais aparentes em determinados setores da moeda do que em outros, principalmente nos detalhes altos da cunhagem, letras e números. A legenda e a data da moeda devem ser visíveis a olho nu, sem se recorrer à utilização da lente. A orla pode estar imperfeita em até 30% da sua aparência original.
  • Regular, sigla R (em inglês Good, sigla G) – Deve apresentar um mínimo de 25% dos detalhes da cunhagem original, com distribuição irregular dos sinais de forte manuseio sobre o campo da moeda e sua orla. A legenda e a data da moeda devem ser observadas com o auxílio de uma lente.
  • Um Tanto Gasta, sigla UTG (em ingês Poor, sigla P) – Apresenta somente a silhueta da figura principal, e as letras da periferia, quando existirem, quase sendo engolidas pela orla desgastada. Não são colecionáveis, a não ser em casos de moedas extremamente raras.


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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.