Filha da dona da casa que desabou às margens da SP-68 relata que duas pessoas foram retiradas “pouco antes de tudo cair”.



Na noite de domingo (17/02), o barranco dos fundos do imóvel do casal Leila Marques e Valdeci Justiniano cedeu e derrubou a maior parte dos cômodos da casa onde moravam. Sobraram apenas o quarto do casal e a cozinha, que ficaram praticamente intactos. A sala, banheiro e outros dois quartos ruíram completamente, deixando sob os escombros os móveis e utensílios ali existentes.

No imóvel, situado às margens da rodovia dos Tropeiros (SP-68), próximo à Fazenda dos Coqueiros, entre Bananal e Arapeí, o casal costumava receber familiares nos finais de semana.

No momento que o barranco avançou, 8 pessoas estavam na casa. Além do casal, estavam o filho, a nora e dois netos de Leila, mais o filho e a neta de Valdeci. Ninguém saiu ferido.


Os primeiros atendimentos à ocorrência foram realizados no início da madrugada de segunda-feira. Equipes da Prefeitura de Bananal estavam na estrada para desobstruir barreiras quando avistaram os destroços da casa. Em seguida veio a Defesa Civil para registrar os danos. Na manhã seguinte, os trabalhos tiveram prosseguimento, com equipes, máquinas e veículos das Prefeituras de Bananal e Arapeí, além da ajuda de dezenas de voluntários.

O dia seguinte ao desabamento foi árduo na tentativa de recuperar o que restou. Os bens resgatados foram colocados às margens da estrada antes de serem levados na carroceria de um caminhão para o novo destino da família.



A Gazeta de Bananal conseguiu entrevistar a filha de Leila, Rafaela Dornelas, que reside em Volta Redonda e não estava na casa no dia do desabamento. Ela também tem o hábito de visitar o casal regularmente nos finais de semana e costumava ficar em um dos quartos que desabou.

Logo que soube da notícia, ela correu para o local.Foi um grande susto. Nem acreditei que saíram todos bem quando cheguei”, disse.

Rafaela relatou os momentos de tensão vividos pelos familiares, detalhou os estragos deixados pelo desabamento, a ajuda e solidariedade recebida, a mudança para um lar provisório e as intenções do casal para o futuro.


Quem estava na casa no momento em que os cômodos começaram a ruir?

Estava minha mãe, meu padrasto, o filho e a neta do meu padrasto, meu irmão e meus dois sobrinhos, além da minha cunhada.

Você costumava ir até a casa, visitar sua mãe também?

Sempre vou final de semana para lá. Ficamos em um dos quartos e meu irmão no outro. Esse final de semana, em exceção, não pude ir. Foi quando tudo aconteceu.

Houve algum barulho ou sinal do perigo que eles estavam correndo? O que motivou o desabamento?

O barranco que fica atrás da casa cedeu. Meu padrasto disse que estava descendo muita água. Meu irmão e meu padrasto estavam saindo da casa quando uma parte da parede cedeu. Isso empurrou eles para fora da casa.


E como foi a saída das outras 6 pessoas que estavam dentro da casa?

Só quem estava lá pra dizer, mas o que eu ouvi, e me deixou sem reação, foi o fato do meu irmão conseguir tirar o filho do meu padrasto e ajudar minha cunhada a tirar meu sobrinho que dormia no quarto pouco antes de tudo cair. Ele se manteve calmo e, graças a Deus, deu tudo certo.

Foi um grande susto, nem acreditei que saíram todos bem quando cheguei.

Depois de tudo, com a chegada de ajuda, como foi a retirada dos pertences em meio aos escombros?

Olha, hoje conseguimos recuperar boa parte das coisas. Objetos pessoais e roupas. Como a parte da cozinha não cedeu, foi recuperado tudo e o quarto da minha mãe também. Tinha outros dois quartos que não sobrou nada. Muita gente ajudou na retirada.

Vocês ficaram sabendo que, logo após o fato, houve uma mobilização em rede social para angariar roupas para ajudar sua mãe e seu padrasto?

Minha prima me passou essa informação. Porém, as roupas e pertences pessoais eles conseguiram recuperar. Eu não sei muito bem quem pediu, agradeço a boa intenção, mas roupas eles tem.

Conseguimos uma cama, e, parece, um guarda roupas. O que se perdeu foram roupas de cama, toalhas e tudo na sala.

Estamos nos unindo e tentando colocar as coisas no lugar. Mas eles já tem uma casa pra ficar e as outras coisas, graças a Deus.

Nossa família está fazendo o que pode para auxiliar.

Agradecemos a ajuda, mas é que roupas não é urgência no momento. Aí as pessoas deixam de doar para quem realmente não tem nada. Não seria justo.

Eles vão ficar na casa de algum parente ou amigo?

Sim. Numa casa que é do meu tio e estava terminando a construção. Não está totalmente pronta, mas ele cedeu para eles ficarem de imediato.

Sua mãe e seu padrasto pretendem voltar a morar no local?

Eles querem. Não sei se vai ser possível.

Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?

Agradeço a todos pela ajuda. Por mim e pela minha família.

Foi um dia longo, mas estamos felizes. Eu moro em Volta Redonda, mas ao sair de Bananal hoje vim em paz, porque está tudo bem.

Nós precisamos das coisas perdidas sim, mas são coisas materiais. Isso nós corremos atrás. Já minha família, não tem preço.







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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.