A repercussão da perda de Plinio Graça.

Blog Bananal - My city, my history, my life - Profª Roberta Fonseca


Querido "Seu" Plínio, nosso eterno respeito e amor o acompanham.


 Faleceu aos 87 anos, o farmacêutico e filho de Bananal Plínio Graça, proprietário da Pharmácia Popular. "Seu" Plínio foi vereador, vice-prefeito e prefeito de Bananal por dois mandatos, lutando sempre pela cultura e pelo conhecimento histórico do município através de seu legado. A Pharmácia Popular de Bananal é considerada a mais antiga em funcionamento no Brasil com seus ladrilhos franceses, frascos e rótulos raros, balcões em madeira da época e um gradil separando os balcões dos remédios do espaço onde os clientes circulam. Ainda vende remédios e abriga um pequeno museu com rico acervo histórico em seu interior. Em 1922 a Pharmácia foi vendida para o pai de Seu Plínio, dando início a um legado de proteção e resgate cultural e histórico.


"Seu" Plínio sempre recebeu os turistas e os conterrâneos com uma conversa amiga e tranqüila, partilhando conhecimento histórico com todos que o conheciam e procuravam. Fica difícil descrever a emoção que sentimos tantas vezes ao conversar e aprender com este grande mestre. Um homem de grande bondade e cultura que soube como ninguém equilibrar o passado com o presente e futuro, resgatando as raízes de nossa cidade com o olhar lúcido da atualidade e a fé em um futuro melhor. Minhas lembranças e momentos de aprendizagem sentada em seu banco de madeira são muitas e não tenho palavras para expressar a lacuna que sua falta vai trazer. Além de me ensinar tanto, ele gentilmente recebeu em abril e maio de 2010, meus 138  alunos da escola pública, dando entrevistas e ajudando no resgate histórico através das transcrições e dados. Sem dúvida alguma e com grande amor no coração, podemos afirmar que ele foi, é e sempre será nosso grande mestre.


 Ao longo dos anos, “Seu Plínio” foi transformando a vida das pessoas e despertando amor e valorização pela história e cultura local. Ele sempre recebeu todos os visitantes com conhecimento, variedade de frascos farmacêuticos, beleza, sensibilidade e muita riqueza histórica sobre Bananal, honrando o milagre da vida e a interação humana. O pequeno museu que a Pharmácia Popular abriga não promoveu apenas a exposição de objetos de nosso passado, mas sempre ofereceu orientação para as pessoas de Bananal, de outras partes do Brasil e do exterior, criando uma rede consciente de aprendizagem contínua. Na vida, é importante ter a visão do conhecimento como processo e Seu Plínio transmitia esta ideia como ninguém.


A aprendizagem e o ofício deixam assim de ser um lugar de certeza, ou de aplicação de um conhecimento pronto e terminado, mas passam a ser o espaço da procura, da investigação e da pesquisa, mobilizando todos  para a prática social de construção do conhecimento coletivo coerentes com nossas raízes e história. De certa forma, Seu Plínio sempre motivou cada visitante a tornar-se consciente de seu próprio papel como agente na sociedade atual, refletindo sobre o passado, presente e futuro. Um trabalho tão bem respaldado e organizado na Pharmácia Popular só poderia ter suas raízes no pensamento de um grande mestre e empreendedor cultural, um homem capaz de gerar mudança, conhecimento e evolução para uma comunidade. Um homem que plantou boas sementes com seu trabalho. Meu querido e amigo Seu Plínio, o sol e a lua em Bananal serão sempre diferentes depois de sua chegada e partida. Ficamos órfãos de um grande mestre e com o compromisso de dar sequência ao seu legado de cultura e conhecimento. O céu com certeza te espera de braços abertos.
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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.