O custo “apagão” para a Bananal.

OPINIÃO

Seria possível mensurar o custo “apagão” para a cidade?

Em 27 de dezembro completamos 4 meses do mais recente reajuste nas tarifas de energia da Elektro. Com a autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a empresa, que atende Bananal e outros 18 municípios do Vale do Paraíba, num total de 141.334 consumidores, promoveu um reajuste médio de 8,91%
Para os clientes residenciais de baixa renda o reajuste foi de 2,3% e para os clientes atendidos em baixa tensão, como pontos de comércio e pequenas indústrias, o aumento médio foi de 8,48%.
A tabela reajustada passou a vigorar em 27 de agosto com previsão de impacto nas faturas de cobrança 45 dias depois, ou seja, por volta da segunda quinzena de outubro. Época de maior consumo e bem próximo do início de um período mais constante de chuvas, em novembro.
Para Bananal, o fenômeno natural chuva, de qualquer intensidade, significa iminente falta de energia elétrica. Um fator que durante anos incomoda e irrita profundamente a população. Meu filho de 4 anos, logo quando vê que está chovendo já pergunta: “Pai, vai faltar luz?”. Só “São Pedro” e a Elektro podem responder. Tenho certeza que qualquer morador de Bananal, com mais de 2 anos, já sabe prever o que acontecerá após os primeiros raios e trovões.
Descrever os transtornos domésticos que isso acarreta é desnecessário, mesmo porque, muitos de nós já aceita isso como “normal”, numa espécie de conformismo coletivo. Nos últimos anos, o ressarcimento de custos em aparelhos eletrodomésticos danificados amainaram a ira daqueles que sabem correr atrás de seus direitos na justiça. Infelizmente, a maioria não conhece esses direitos.
Ante a sequência de apagões ocorridos nas primeiras semanas de dezembro, em faixas variadas de horário, tanto em dia claro como na madrugada, voltei a pensar numa questão que há tempos tenho vontade de me aprofundar: quanto custam esses apagões para o município? De quanto é o prejuízo do comércio e demais segmentos da cidade com as abruptas interrupções de energia? O quê isso representa para um município que é Estância Turística? Como seriam feitos os cálculos para mensurar o prejuízo?
E olha que me atenho ao impacto na economia da cidade, porque impossível avaliar o prejuízo moral, o constrangimento, o aborrecimento e a irritação tão presentes em nosso cotidiano com a “falta de luz”.
Tão antiga quanto o problema é a resposta padrão da Elektro: nossa região concentra um conjunto de fenômenos naturais acima do normal e a empresa nada pode fazer perante as forças da natureza. Traduzindo, ao invés de nos mandar reclamar com o bispo, a empresa recomenda que falemos diretamente com Deus. Para eles, a implantação de novas tecnologias e equipamentos são investimentos insuficientes perante os desígnios da natureza.
Voltemos ao cálculo dos prejuízos.
Mesmo sob o risco de parecer simplista, escolhi como parâmetro o PIB (Produto Interno Bruto) da cidade, pois aglutina a soma de produção e riquezas locais em todos os segmentos econômicos.
Segundo dados divulgados pelo IBGE em 2003, o PIB de Bananal gira em torno de R$ 56 milhões.  Dividindo por 12, o PIB mensal corresponde a R$ 4,66 milhões e o diário a R$  155 mil. Mantendo este raciocínio, o município produz R$ 6,4 mil por hora
Já pensaram se fosse possível reivindicar judicialmente esse montante? E com a mesmo constância dos apagões?
Para uma empresa do porte da Elektro, os números de um pequeno município de 10 mil habitantes podem parecer insignificantes. Mas para nós que vivemos aqui eles são relevantes.
Voltaremos ao tema.
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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.