Mirian Bruno vence eleição mais disputada da história de Bananal.

Mirian e Peleco. Novamente juntos, mas separados.

  Mirian  Bruno e Peleco, que juntos venceram as eleições de 2004, ela na condição de prefeita e ele como seu vice, novamente compartilharam o mesmo número de votos nas urnas. 

  Mas, desta vez, somente um deles comemorou a vitória.


  Graças aos seus 62 anos de idade, Mirian Ferreira de Oliveira Bruno, do Partido Verde, voltará a ser prefeita de Bananal. 

  À sua idade e também aos 1.849 eleitores que a escolheram na votação deste domingo, 07 de outubro.

  Com o mesmo número de votos, representando 28,54% dos votos válidos, o candidato tucano Peleco viu o sonho de chegar ao Paço Municipal adiado por ser 14 anos mais novo que a adversária.

  O equilíbrio na preferência do eleitorado também ficou evidenciado pela votação do 3º colocado, o pepista Godô, com apenas 296 votos a menos que os dois lideres (1.553 votos). Uma diferença de 4,57%.

  O atual prefeito David Morais alcançou indice de 18,94%, obtendo 1.227 votos. Um número inferior ao de abstenções. A exemplo de 2008, uma considerável parcela do eleitorado deixou de votar. Desta vez, 1.286 pessoas não compareceram às urnas.

  Completando o quadro, foram 153 votos em branco (2,20%) e 328 nulos (4,71%).

  A equiparação das forças de oposição em Bananal já era esperada.

 Nos bastidores da politica local era consenso de que o vitorioso, ou vitoriosa, seria definido por uma margem estreita de votos em relação aos demais.  Mesmo David Morais, com um índice altíssimo de rejeição, acreditava na vitória pelo fracionamento da oposição.

  Mirian Bruno sempre liderou as pesquisas internas dos partidos, mas sua candidatura sofreu com a indefinição de seu registro. Inicialmente indeferido em 1ª instância, o registro só foi deferido oficialmente pelo TRE/SP 17 dias antes das eleições. Mesma apta, ela continuou sendo alvo de conjecturas. Os adversários continuaram alegando que ela estava "cassada" e que não tomaria posse, mesmo vencendo as eleições.

  Por sua vez, o candidato Peleco, com o menor indice de rejeição, conseguiu manter-se entre os primeiros nas pesquisas, enquanto Godô saltou da última colocação nas sondagens iniciais para chegar ao pleito com grandes chances de vitória.

 Foi sob este cenário que candidatos e coligações foram para a votação. Todos eles acreditando na vitória.

  Quando as urnas foram abertas, a preferência por Mirian e Peleco prevaleceu, numa disputa voto a voto. A candidata do Partido Verde obteve pequena vantagem nas 10 urnas da escola Nogueira Cobra. Nas 9 seções do colégio São Laurindo e nas 2 de Rancho Grande, Peleco encostou e a definição ficou para a menos disputada urna da cidade: a do Sertão da Bocaina, onde cerca de 70 eleitores estavam aptos a votar.

  A apuração e transmissão dos resultados urna a urna, foi realizada no Fórum da Comarca. Informações desencontradas, resultantes da nervosa contagem  dos votos pelos representantes dos partidos, atribuíam a vitória a um e a outro. Correligionários da candidata Mirian chegaram a comemorar levando em conta apenas as urnas do Nogueira Cobra e do São Laurindo, mas a euforia deu lugar à tensão.

  Uma multidão se aglomerou diante do Fórum para aguardar o resultado oficial. Enquanto isso, uma informação via telefone dava conta, extra-oficialmente, de que a disputa teria ficado empatada.

  A chegada da "urna do sertão" foi aclamada pelos populares. Logo em seguida, veio a confirmação. Mirian Bruno venceu por ser a candidata "mais velha".

  Alivio de um lado, inconformismo do outro.

  À medida que o resultado era confirmado de boca em boca, o silêncio na multidão refletia a surpresa de todos. Somente o início de nova comemoração dos adeptos da candidatura verde nas imediações da Praça Pedro Ramos retomou o tom da disputa. A poucos metros dali, aglomerados em maior número na Praça Rubião Júnior, simpatizantes de Peleco começaram a gritar "Ficha Limpa" para extravazar a frustração e contrapor a comemoração do outro lado.

  Por fim, Mirian Bruno, a única candidata que não promoveu carreata durante a campanha, saiu em carro aberto seguida por dezenas de veículos celebrando a emocionante vitória.

  Ao mesmo tempo, o empate em Bananal começava a ser repercutido no programa Fantástico da Rede Globo e ganhava as principais manchetes da imprensa nacional. 

  A eleição de 2012 entrava definitivamente para a história. Não apenas para a história do município, mas do país.
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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.