A herança que quase faliu a Prefeitura de Bananal.

  Mudança de administração em prefeitura é sinônimo de reclamação do novo mandatário com seu antecessor, sobretudo no caso de rivalidade politica.

  Por todo o Brasil repercutiram inúmeros casos de novos prefeitos reclamando e lamentando a situação com que receberam os respectivos governos municipais. As novas crises ganham uma velha e tenebrosa denominação: herança maldita.

  Em Bananal não foi diferente, embora a reclamante não seja adepta a lamentações. 

 Quando assumiu a prefeitura em 2005, Mirian Bruno incomodou aliados por não divulgar amplamente o dificil quadro herdado, advindo de um processo turbulento de afastamento do então prefeito pela Câmara. Entendia que tal postura poderia transparecer retaliação ou perseguição politica e preferiu trabalhar em silêncio na correção de rumo na administração de Bananal. Professava a crença de que não fora eleita para ficar reclamando, mas para resolver os problemas e melhorar os serviços prestados pela Prefeitura.

  Decisão acertada ou não, o fato é que considerável parcela da população de Bananal desconhece os percalços iniciais daquele 1º governo. Após quase dois anos de medidas austeras, que lhe custaram até a perda de aliados históricos, os frutos só foram colhidos na segunda metade da gestão, com obras e feitos administrativos. Alguns desses feitos voltados para os servidores municipais. Dentre eles, o raro compromisso de honrar a folha salarial dentro do mês trabalhado. O servidor público em Bananal não precisava esperar o 5º dia útil do mês subsequente para ver o seu suado dinheiro cair na conta. Naquele periodo acostumou-se a recebê-lo antecipado.

  Ao longo de quatro anos, sob o alcaide David Morais, tudo mudou para pior. A folha de pagamento passou a não ter dia certo para ser feita até chegar a um desfecho deplorável: dificuldades e incertezas no recebimento do 13º salário e a tensão de saber que a prefeitura virou o ano sem ter dinheiro em caixa para pagar a folha salarial referente a dezembro de 2012. 

  Era um indicativo do descontrole financeiro e dos desmandos administrativos que levaram o próprio ex prefeito a confessar, em rede de televisão, que a prefeitura de Bananal está "quase falida".

  Simbolicamente a confissão serviu para corroborar o acerto da sentença do eleitorado de Bananal que o relegou ao 5º lugar nas eleições passadas, ficando atrás de Mirian Bruno, Peleco, Godô e do número de abstenções. Um vexame histórico para um prefeito que aspirava a reeleição.

  No entanto, o fracasso politico era também o mensageiro de um tempo de dificuldades para a nova gestora da prefeitura. 

  Demonstrando que jamais esteve à altura do cargo, David Morais tergiversou quanto a promover a transição de governo. Uma questão de responsabilidade com o município e seu povo. Talvez por recalque politico pela derrota ou até mesmo por vergonha de mostrar o que fez com a prefeitura.

  Não é dificil imaginar seu constrangimento em ter para sucedê-lo justamente a pessoa que o antecedeu. Ou seja, a mulher que, por ter amplo conhecimento sobre como estava a prefeitura de Bananal antes dele, terá a perfeita dimensão dos estragos causados.

  E essa dimensão levou à radical mudança de postura da Prefeita sobre a divulgação do estado em que encontrou a Prefeitura. Ao contrário de 2005, ante o caos verificado, Mirian Bruno não relutou em decretar estado de emergência administrativa e financeira, convocar a imprensa para expor alguns dos absurdos encontrados, solicitar reunião com todos os vereadores para detalhar a situação, solicitar abertura de B.O na policia, instaurar uma sindicância interna e manifestar a intenção de encaminhar ao Ministério Público o relatório de todos os desmandos constatados.

  Mas, afinal, quais seriam esses desmandos? Qual a sua gravidade? E quais as suas consequências para a Prefeitura neste alvorecer da gestão 2013-2016?

  É o que tentaremos mostrar nesta série de reportagens do Blog, que passa por sumiço de documentos e vai até a transferência irregular entre contas para pagamento do próprio prefeito e alguns de seus assessores. 

  Demonstrados com fatos, documentos e entrevistas no transcorrer desta semana.
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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.