Carnaval da Familia atingiu principal objetivo.

  O carnaval 2013 em Bananal atingiu a principal meta de proporcionar um ambiente alegre, festivo e, sobretudo, familiar às milhares de pessoas que estiveram na cidade entre os dias 08 e 12 de fevereiro.

  Considerando ter sido um carnaval que quase foi cancelado devido à crise administrativa e financeira da prefeitura, as pequenas falhas estruturais não ofuscaram o brilho e êxito da festividade.

  O quesito segurança foi testado logo na primeira noite. Uma hora antes do horário previsto, o baile popular foi encerrado em função de uma briga generalizada ocorrida no final da rua Manoel de Aguiar. A policia militar e os seguranças agiram prontamente e mostraram serviço. A eficiência demonstrada pode ter refletido nos dias seguintes, já que nenhuma outra ocorrência foi registrada.

  O ponto mais crítico ficou por conta das instalações sanitárias. A boa intenção de centralizar os banheiros não surtiu muito efeito. O banheiro público ao lado do Solar Aguiar Valim foi destinado às mulheres e garantiu sua privacidade, funcionando a contento. Em contrapartida, a falta de manutenção nos banheiros químicos masculinos, instalados no pátio interno do Solar, praticamente obrigaram os foliões a utilizarem o muro que faz divisa com a rua. O mau cheiro, principalmente na última noite, ficou insuportável.

  Os pontos negativos ficaram por aí e podem ser facilmente corrigidos nas próximas edições do carnaval, quando haverá mais tempo para a sua elaboração.

  Já os pontos positivos, pela quantidade e qualidade, garantiram uma festa agradável e um ambiente prazeiroso.

  A começar pela inesquecível decoração idealizada pelo artista plástico André Nader. 

  A beleza visual das centenas de sombrinhas instaladas na Manoel de Aguiar transcendeu o efeito estético. De  forma marcante o trabalho parece ter conseguido passar a idéia do trabalho de superação que foi a tônica deste carnaval. A adversidade foi transformada em beleza. O suor do trabalho da equipe foi transmitido em forma de alegria e isso virou o jogo e a perspectiva da festa. A dúvida do sucesso virou certeza. O astral das pessoas se elevou. Mal dava para perceber que  a prefeitura teve menos de um mês para decidir se realizaria o evento, reunir o comércio, a policia e correr para arregimentar recursos e voluntários para viabilizar tudo.

  A mobilização do comércio, que soube compreender o dificil momento da administração pública, foi o fator decisivo para financiar a decoração e boa parte da infra-estrutura. Cerca de 50 empreendedores colaboraram e permitiram o reinado de Momo na cidade. Novos parâmetros podem ter sido estabelecidos, ficando o aprendizado de que a realização de uma festa de grande porte não pode ficar a cargo apenas da prefeitura. A conferir se tal aprendizado será assimilado.

  A força e independência dos blocos foi comprovada neste carnaval. Eles foram as grandes atrações e principais fontes de animação, democratizando a folia nesta festa popular. A eles o mérito e a constatação de merecerem maior apoio público, com verbas específicas destinadas a apoio cultural.

  A cidade precisa não apenas apoiar os já existentes como incentivar a criação de novos blocos, com temáticas e ritmos diferentes para preencher a "grade" de atrativos para as cinco noites. Apoio que deve se estender à Escolinha Mirim que tanta magia, pureza e encanto traz para o evento.

  A Caminhada com o Trio Elétrico obteve o sucesso esperado. O novo trajeto, pela Avenida Bom Jesus, deu mais dispersão aos foliões, além de evitar os pontos de afunilamento, descidas e subidas do percurso anterior, pela Barão de Joatinga. É um evento que merece ser repetido em outro dia, como ocorreu em 2012. Talvez melhor na terça-feira, para segurar os foliões já instalados na cidade e atrair outros mais no último dia de carnaval.

O grande movimento dos bailes populares comprovou que o "som de linha" supriu sem maiores problemas a falta de shows ao vivo.  Jovens de todas as idades puderam compartilhar da presença de amigos e familiares, fazendo do "salão" ao ar livre da Manoel de Aguiar um ponto de confraternização e felicidade.
 
A substituição da área de palco pela cobertura da área de alimentação agradou mais do que o esperado. Muitas pessoas a elegeram o local preferido para conversar, brincar e pular o carnaval. Foi uma medida inovadora que merece ficar. Mesmo com instalação de palco nos carnavais futuros, ela deve ser repensada em outro ponto da área central.

  A não utilização da Praça Rubião Júnior como ponto de carnaval, forçada pela falta de recursos, preocupou no sentido de prejudicar o movimento dos quiosques de lanches ali instalados. Mas os supostos prejuizos foram minimizados pela necessidade de dispersão dos milhares de foliões e acabou ficando como um local mais adequado para as pessoas descansarem nos bancos ou lancharem com mais tranquilidade. Mas a agitação no local certamente voltará nos próximos carnavais, provavelmente com a volta da "supertenda"  com shows das bandas de marchinhas e matinês para crianças, além da instalação de parque com brinquedos.

  A presença de crianças fantasiadas pelas ruas, acompanhadas dos pais, brincando e se divertindo com sprays, bombinhas, confetes e serpentinas é a derradeira imagem que ficou. A imagem que, intimamente, todos queriam e projetavam para este carnaval, em lugar de alguns excessos de comportamento constatados nos anos anteriores.

  Por tudo isso, o carnaval 2013 foi um sucesso. Não apenas por manter a tradição bananalense com a festa, mas também por projetar um carnaval primoroso em março de 2014.



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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.