Moradores voltam a sofrer com mau cheiro da ETE da Cerâmica.

Moradores do bairro da Cerâmica voltam a reclamar do forte mau cheiro que exala da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) localizada no bairro.

O mau cheiro nos últimos dias é tanto que chega a incomodar moradores de áreas adjacentes ao bairro, tanto da localidade conhecida como Recanto Verde, em direção ao bairro Laranjeiras, quanto moradores próximos da avenida João Godoy de Macedo, via de entrada pelo portal da cidade.

Sob responsabilidade da Sabesp,  a Estação de Tratamento de Esgoto do bairro da Cerâmica consiste em uma lagoa com área superficial de 17.100 m². É provida do que tecnicamente a Sabesp chama de unidades de tratamento preliminar, com gradeamento, caixa de areia e medidor de vazão. Segundo a empresa, o efluente final é tratado adequadamente e lançado no rio Bananal. 

Mas o mau cheiro é um problema recorrente. Não se sabe precisamente que tipo de "gás" emana da lagoa provocando o odor. 

Isso dá margem a especulações que se contrapõem às explicações técnicas da empresa. Os moradores são absolutamente céticos em relação a elas. Não à toa, apelidaram a ETE de "quadradão".   

Nos últimos tempos, episódios como esse sempre são seguidos de medidas adotadas pela Sabesp que servem apenas como paliativo.

O mau cheiro diminui, mas o problema sempre volta.

A grande questão que se coloca é se existe uma solução permanente e efetiva para o problema. O temor dos moradores é que o cheiro seja um indicador de que o gás exalado do "quadradão" possa fazer mal à saúde, seja a médio ou a longo prazo.

Instalada no bairro há cerca de 30 anos, é de se pensar se o sistema adotado para a coleta e tratamento do esgoto já não está saturado, para não dizer absolutamente obsoleto para o crescimento de construções que ocorreram na cidade nas últimas três décadas, assim como as demandas resultantes do crescimento populacional.

A Estação de Tratamento da Cerâmica acaba sendo um fator negativo para a Sabesp, em contraponto a outros trabalhos  de excelência executados pela empresa em Bananal.

Além do mau cheiro, há moradores que denunciam o derramamento de substâncias vazadas da ETE para o rio Bananal.

O assunto é também tema recorrente de reclamações na Câmara de Bananal. Praticamente todos os vereadores nos últimos anos já apresentaram proposições sobre aquele esgoto fazendo coro aos questionamentos da população.

No início desta semana, a vereadora Lúcia Nader, que é moradora do bairro da Cerâmica, deu início a um levantamento sobre essas demandas para levar o problema diretamente à Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, além da Cetesb e do próprio Ministério Público que igualmente têm ciência da falta de solução para um problema tão antigo.

A vereadora pretende apresentar proposta de Audiência Pública na Câmara Municipal, através das Comissões Permanentes existentes na Casa de Leis, para debater diretamente com representantes da Sabesp e demais órgãos públicos, sobre a real situação daquela ETE. Se ela está em conformidade com as normas ambientais, se o sistema utilizado por ela não está desatualizado, se ela tem a real capacidade de absorver e tratar todo o esgoto da cidade ali captado, se há viabilidade concreta de construir mais uma ETE para descentralizar a captação e outras questões.

A empresa alega oficialmente que a vazão nominal de projeto é de 21 l/s, mais do que suficiente para a vazão atual de 4 l/s.

Para os moradores o mau cheiro não permite tal percepção. 

A paciência vai, aos poucos, se transformando em revolta. 

E ela só não é maior do que a ansiedade de merecer, ao menos, respostas convincentes para uma solução eficaz do problema que tanto os aflige.

E que invade suas narinas diuturnamente.

     
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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.