Antiga Estação Ferroviária de Bananal completa 130 anos em 2019.



O edifício metálico e desmontável importado da Bélgica com cerca de 2.000 placas galvanizadas almofadadas e piso superior em autêntico pinho de Riga foi o único do gênero montado no continente americano. Exatamente por essa exclusividade, é o principal atrativo turístico de Bananal pela singularidade e por simbolizar a riqueza de seus fazendeiros, os renomados "Barões do Café". E essa peculiar construção instalada no solo bananalense completa 130 anos em 2019.

O dia preciso de sua construção é controverso em alguns registros históricos, mas é certo que a Estação Ferroviária foi montada nos primeiros meses de 1889.

Alguns registros apontam que o edifício teria sido erguido em 24 de dezembro de 1888, enquanto outros relatam que foram apenas os trilhos do ramal que chegaram naquela data.

A segunda versão é a mais correta, pois um periódico de Bananal na época, o jornal "A Nova Fase", publicou em sua edição de 1º de janeiro de 1889 que as partes pré fabricadas da futura edificação estavam no Rialto, distrito de Barra Mansa-RJ. A estação que vai ser montada é elegantíssima e já se acha na estação do Rialto. Na verdade, seja dito de passagem, não temos conhecimento de outro edifício no gênero. É ela totalmente metálica, inclusive o telhado de chapas almofadadas duplas, de construção belga, e seus assoalhos de autêntico pinho de Riga., relatou a publicação.

A data de 1º de janeiro de 1889 também chegou a ser considerada como a da construção do edifício, mas, na verdade, ela marcou a inauguração do ramal ferroviário que deu sequência ao primeiro trecho que existia até então e ligava a estação de Saudade, em Barra Mansa à Fazenda Três Barras em Bananal.

A história do ramal bananalense mostra que sua implantação foi uma luta de décadas. Foi idealizada em 1870, mas a concessão só saiu em maio de 1880, quando foi finalmente constituída a Estrada de Ferro Ramal Bananalense. A primeira composição só rodou três anos depois, com a locomotiva "Boa Vista" puxando dois carros de passageiros entre Saudade e o Rialto. Após outros 5 anos de muitas dificuldades, em 13 de outubro de 1888 a linha chegou a Três Barras. Teria sido nessa época que a Estação pré-fabricada foi comprada pelo Comendador Domingos Moitinho. A fabricante belga vendeu e montou o projeto em Bananal.

O edifício, forrado com chapas de ferro estampados, possui 335 m² de área, incluindo a plataforma de embarque coberta por marquise. É constituído por um compartimento central, onde ficavam as bilheterias e outros dois compartimentos menores e contíguos. Um deles possui a escada helicoidal de ferro que levava ao compartimento superior, do setor administrativo.

Em cada extremidade do pavimento térreo, dois grandes salões, originalmente utilizados para o depósito de carga.

No pavimento superior, o rodapé permitia a passagem do ar por dentro das paredes ocas de ferro, provendo a área de isolamento térmico e uma ventilação que garantia a queda de 5ºC na temperatura ambiente e no inverno garantiam a menor dissipação do calor dentro dos ambientes.

O sistema foi elaborado pelo engenheiro belga Albert Marie Joseph Danly. Ele patenteou a ideia com seu nome e passou a produzir as chapas metálicas em sua própria fábrica, a Forges d’Aiseau, localizada na cidade de Aiseau, na Bélgica.

O Sistema Danly foi utilizado em vários países influenciados pela cultura europeia no século XIX. No Brasil, além da Estação Ferroviária de Bananal, foram construídos, pelo mesmo sistema, o Mercado São João em São Paulo, o Armazém do Porto em Manaus, no Amazonas, e dois chalés em Belém do Pará.

O destino do prédio ficou atrelado ao do ramal. A queda da produção cafeeira na região coincidiu com a expansão do mesmo segmento no oeste paulista. Em franca decadência, o ramal foi encampado pela União em 1918, integrando-o à EFOM (Estrada de Ferro Oeste de Minas). Em 1931, foi repassado para a EFCB (Estrada de Ferro Central do Brasil) que deu fim ao ramal em 1964.

Com isso, o prédio ficou abandonado por muito tempo até ser tombado pelo Condephaat em 1969. Depois serviu como sede dos correios e, tempos depois, como rodoviária.

Em 1983, foi declarado de utilidade pública pela Prefeitura, em ato que pediu uma vistoria do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, visando sua restauração.

Seis anos depois, nas comemorações de seu centenário o edifício foi restaurado e parte dos seus móveis foram transferidos para o Museu Imperial de Petrópolis.

Locomotiva original "Tereza Cristina" nas Três Barras.
Nos anos 90 a Estação ganhou a companhia de uma locomotiva para compor a figuração do local. A locomotiva a vapor, apelidada de "Tereza Cristina", que por mais tempo serviu ao ramal, não foi disponibilizada pelo acervo federal. Foi substituída pela locomotiva "302", bem maior que a original, construída no início do século XX. 

Em meados dos anos 2000, após uma contenda judicial já transitada em julgado, o município perdeu o prédio da Estação para os Correios, que o mantém fechado e em péssimo estado de conservação.

De forma ainda extra oficial, a municipalidade tenta encontrar formas de negociação para reaver a sua antiga Estação Ferroviária e possibilitar a visitação dos milhares de turistas que se interessam em ver o interior da magnífica edificação.

A Estação Ferroviária de Bananal é seguramente o atrativo mais fotografado na cidade, sendo fácil obter na internet registros raros e belíssimos, em preto e branco ou coloridos, que remetem aos tempos áureos e nostálgicos da rica história do município.

FOTO: Jefferson Couto. Reprodução Facebook - Grupo BANANAL EM FOTOS

A Estação em 1927. Acervo: Regina Gottsfritz Bastos -  Reprodução Facebook - Grupo BANANAL EM FOTOS
FOTO: Site Viajando por aí.
 Ilustração reproduz o entorno da Estação com os trilhos e a caixa d´água abastecendo a locomotiva.
Reprodução Facebook - Grupo BANANAL EM FOTOS
Reprodução Facebook - Grupo BANANAL EM FOTOS
FOTO: Fabrício Capeto.   Reprodução Facebook - Grupo BANANAL EM FOTOS

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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.