Novo Coronavírus: Conheça em detalhes o Plano de Contingência lançado pelo governo estadual de SP


  • Serão destinados R$ 200 mil para aquisição de kits diagnósticos para o Instituto Adolfo Lutz
  • Secretaria da Saúde também instituiu um centro de operações de emergências que contará com representantes de instituições estaduais, municipais e federais
  • Até o momento, há casos suspeitos, mas não há casos confirmados da doença em São Paulo nem no Brasil
  • Gazeta de Bananal editou principais pontos da coletiva para divulgar informações
Da Redação, com informações do Governo de SP

O Governador João Doria, o Prefeito de São Paulo, Bruno Covas, e o Secretário de Estado de Saúde, José Henrique Germann, anunciaram na sexta-feira, 31 de janeiro, o plano de prevenção e a formação de um comitê estratégico para ações relacionadas ao coronavírus. Ao seu lado estavam outras autoridades e especialistas na área, como o infectologista David Uip, ex secretário estadual de saúde.

A coletiva foi transmitida ao vivo. A Gazeta de Bananal, com o objetivo de divulgar amplamente as informações prestadas ao longo de 55 minutos de coletiva, editou o vídeo, separando os pontos mais relevantes para o conhecimento da população. Além desta matéria, os vídeos editados serão postados separadamente nas páginas oficiais do jornal no Facebook, no Twitter e no Instagram.

“O plano de contingência do Governo de São Paulo se dá ao lado de todos os 645 municípios do estado. Reforço aos jornalistas a importância de uma comunicação precisa para melhorar a qualidade da informação, a correta percepção e evitar o pânico”, declarou Doria.



As autoridades salientaram a importância de se evitar alarmismos, tendo em vista a experiência do estado em situações semelhantes já vivenciadas pelo Brasil na saúde pública, como os surtos mundiais da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) no ano 2002 e, mais recentemente, o da gripe provocada pelo vírus Influenza. 

Serão destinados R$ 200 mil para aquisição de kits diagnósticos para o Instituto Adolfo Lutz. O recurso também será empregado na compra de insumos e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), como máscaras, luvas, óculos e aventais para profissionais de saúde dos hospitais e laboratórios estaduais. Se necessário, o Governo de São Paulo ampliará o repasse de verba.

A Saúde também instituiu um centro de operações de emergências que contará com representantes de instituições estaduais, municipais e federais (veja a relação abaixo). A finalidade é auxiliar a pasta na organização e normatização de ações de prevenção, vigilância e assistência referentes à infecção humana pelo novo coronavírus.

O centro também vai colaborar na análise de dados e de informações para subsidiar tomadas de decisões e definição de estratégias, preparação da rede e de ações de enfrentamento de emergências em saúde pública.

Preparo da rede pública estadual

Secretário de Estado da Saúde, Germann abriu as explanações sobre o Plano de Contingência destacando a importância de se informar rapidamente sobre qualquer caso suspeito. Também abordou o preparo da rede estadual para o atendimento dos pacientes e a orientação dada aos profissionais de saúde que atuam em São Paulo.


A capacitação dos profissionais do SUS tem apoio dos GVEs (Grupos de Vigilância Epidemiológica), CSS (Coordenadoria de Serviços de Saúde) e CGCSS (Coordenadoria de Gestão de Contratos de Serviços de Saúde). Reuniões com entidades de classe e da área privada de saúde, incluindo Santas Casas, estão programadas para a próxima semana.

Experiência, Conhecimento e Boa Informação

O infectologista David Uip considerou fundamental a qualidade das informações prestadas à população. Ele falou sobre o papel de cada esfera de poder no atendimento primário (Postos de Saúde, UPAS, etc), secundário (rede ambulatorial) e terciário (hospitais de grande complexidade). "Na disseminação de um processo dessa monta é preciso ter experiência, conhecimento e boa informação", enfatizou.



Quando procurar a rede pública diante da suspeita

O coordenador de controle de doenças, Paulo Rossi Menezes, e o médico infectologista David Uip, falaram sobre o momento adequado para procurar a rede pública de atendimento. Se não tiver febre não é caso suspeito. Se não esteve na China ou não manteve contato com alguém que tenha vindo de lá, também não, enfatizaram eles.

Assim que os primeiros sintomas surgirem (febre, tosse, coriza e dificuldade para respirar), o paciente deve procurar o serviço de saúde mais próximo. Na decorrência deles, a pessoa também deve observar se lábios, orelhas e nariz apresentam pontos roxos.



Aquisição dos kits para exames e isolamento dos casos suspeitos

Menezes e Uip também responderam perguntas sobre os kits adquiridos pelos órgãos governamentais e sobre o protocolo de isolamento dos casos suspeitos.



O profissional de saúde vai avaliar se os sintomas indicam alguma probabilidade de infecção por coronavírus, tomar as providências para notificação e coletar material para exame laboratorial. O início do tratamento dos sintomas prevê medidas para isolamento do paciente.

A infecção apresenta manifestações parecidas com a de outros vírus respiratórios e não existe tratamento específico para o novo coronavírus. Dependendo da condição clínica do paciente, o isolamento pode ser domiciliar.

Tempo dos exames e tratamento



A pessoa deve ficar em repouso e beber muitos líquidos. É fundamental que familiares e amigos evitem o contato direto e o compartilhamento de objetos de uso pessoal com o paciente. Pacientes com sintomas mais intensos podem ser hospitalizados.

Neste momento, estão estabelecidos fluxos com dois principais hospitais especializados de referência: o Instituto de Infectologia Emílio Ribas e o Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Outros centros especializados em doenças transmissíveis da Governo de São Paulo estão sendo integrados a esta rede.

Eventos de grande concentração de pessoas e atuação em portos e aeroportos

Eventos de grande concentração e mobilização de pessoas, como o carnaval, motivos de preocupação de muitas pessoas, receberão a mesma atenção dispensada nos casos da SARS e do Influenza.

David Uip ainda ressaltou que doenças tão preocupantes quanto o novo coronavírus, como por exemplo as sexualmente transmissíveis, saíram do foco das pessoas e oferecem riscos há mais de trinta anos. " A má notícia é que piorou o número de casos de Aids e epidemia de sífilis", pontuou o infectologista.


A atuação em portos e aeroportos é de responsabilidade da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que está trabalhando de forma integrada com a Secretaria da Saúde. Pacientes detectados antes do desembarque no Brasil com os sintomas serão abordados pela Anvisa, que acionará serviço médico para avaliação dos casos ainda a bordo de embarcações e aeronaves.

Os aeroportos estão veiculando mensagens em mandarim, inglês e português com orientações sobre sintomas e medidas para evitar a transmissão.



“Como muitos pacientes podem desembarcar assintomáticos, a Saúde de São Paulo reforça a orientação aos profissionais de saúde para que estejam atentos a possíveis casos suspeitos. Todos devem seguir os protocolos estabelecidos para manejo de pacientes, notificação de casos, diagnóstico e tratamento”, disse o coordenador de controle de doenças, Paulo Rossi Menezes.

São Paulo, capital

A Prefeitura de São Paulo também apresentou as ações já realizadas para capacitação dos profissionais da Vigilância Sanitária e da área da Saúde. “Na próxima terça-feira vamos fazer uma capacitação dos nossos profissionais. Serão 1 mil pessoas da rede hospitalar e da atenção básica para que essas mil profissionais possam, em seguida, fazer a capacitação dos 84 mil funcionários da Secretaria Municipal da Saúde”, disse o Secretário Municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido.

Transparência

Um dos eixos do plano em curso é a transparência na comunicação com a sociedade civil. A assessoria de comunicação da Secretaria da Saúde fará divulgações diárias das estatísticas atualizadas e de orientações sobre o coronavírus. Há também uma página especial com informações sobre o vírus e com orientações à população.

As estratégias de divulgação incluem um site oficial e redes digitais oficiais; releases e entrevistas com especialistas para veículos de comunicação; boletins técnicos periódicos para orientar gestores e profissionais de saúde; orientações a serviços de saúde públicos e privados, com apoio de federações, associações e entidades de classe.

Os canais oficiais da Secretaria da Saúde podem ser acessados pelos links abaixo:







Integrantes do centro de operações de emergência:

a) Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde

b) Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, sendo Diretoria Técnica, Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória e Divisão de Infecção Hospitalar

c) Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde

d) Instituto Adolfo Lutz, Diretoria Técnica e Centro de Virologia

e) Coordenadoria de Regiões de Saúde

f) Coordenadoria de Serviços de Saúde

f.1) Instituto de Infectologia Emílio Ribas
g) Coordenadoria de Gestão de Contratos de Serviços de Saúde
h) Coordenadoria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos de Saúde
i) Assessoria de Comunicação Social da Secretaria da Saúde
i.1) Instituto Butantan
j) Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
k) Secretaria da Segurança Pública de São Paulo
l) Coordenadoria de Vigilância em Saúde do Município de São Paulo (Covisa);
m) Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems – SP);
n) Escritório Regional da Anvisa/SP.

Outras informações:



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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.