Trabalhador agredido na praça do Rosário retorna à empresa após 17 dias de recuperação


Trabalhador de uma empresa estabelecida em Bananal, Leandro Amaro Alves, de 36 anos, retornou ao trabalho na manhã da última segunda-feira (02/03) após 17 dias de recuperação. 

Leandro foi vítima de agressão no dia 14 de fevereiro - uma semana antes do carnaval - nas imediações dos quiosques da praça Rubião Júnior (Largo do Rosário), quando 3 homens avançaram sobre ele desferindo socos e pontapés até deixá-lo desacordado.

O motivo, fútil, seria por ele ter se recusado a pagar um sanduíche para um dos agressores. As palavras de recusa desagradaram o pedinte a ponto de fazê-lo achar que precisava dar uma "lição" em Leandro. E no confronto, o agressor recebeu ajuda dos outros dois companheiros.

O embate desproporcional causou revolta e indignação nas pessoas que assistiram, estupefatas, a cenas de covardia e crueldade. Há mais de um relato afirmando que os agressores continuaram a chutar a cabeça e a pisar no rosto de Leandro quando ele já se encontrava desacordado.

Em decorrência das agressões sofridas, ele fraturou as costelas, ficou com cortes na cabeça, com os supercílios abertos, hematomas no rosto e dentes quebrados, além de escoriações pelo corpo.

Segundo laudo da radiologia tirada na Unidade de Saúde houve "fratura completa no segmento anterior no 7º arco costal", confirmando os danos nas costelas.

Reação nas redes sociais

Fotos do tralhador desfigurado pelas agressões foram publicadas por pessoas próximas a ele no Facebook e chocaram os internautas. Com dezenas de compartilhamentos e comentários, o tom nas redes foi uma mescla de incredulidade e inconformismo.


Juntamente com os votos de um pronto restabelecimento a Leandro, houve um clamor para que a justiça seja feita e a agressão não fique impune.

O relato de uma pessoa que diz ter visto as agressões é impactante: "O Leandro só não morreu porque não era a hora dele. Era cada chute na cara dele que o barulho era grande", descreveu.

Uma das testemunhas se diz convicta de que, se não fosse um dos donos de quiosque intervir, Leandro correria risco de morte, pois até então, mesmo com ele desacordado, os agressores não davam mostras de que pretendiam parar.

Em outro relato, colhido pela reportagem, testemunha ocular desabafa: "Onde vamos parar? Quer dizer então que agora, em pleno centro de Bananal, um trabalhador pode ser agredido até quase a morte porque desagradou uma pessoa, recusando um lanche? Isso em Bananal! As autoridades vão olhar para isso? A justiça não vai funcionar neste caso? A sociedade vai deixar essa ocorrência pra lá? É assim que a violência começa e se estabelece numa cidade. As pessoas ficam quietas para atos assim e a coisa vai ficando incontrolável depois, porque se abriu o precedente para que os infratores apostem na impunidade. Já estamos quietos achando comum o consumo de drogas nas praças públicas. O próximo estágio é ignorar uma pessoa desacordada receber chutes na cabeça? Depois disso vem o quê?", indaga.

No Boletim de Ocorrência registrado pela vítima na Delegacia de Polícia de Bananal os três agressores são identificados por apelidos. Consta também o bairro onde residem. Os agressores apontados no B.O não estavam presentes naquele momento e, portanto, não há versões deles sobre o fato no documento.

Recuperação e retorno ao trabalho

A Gazeta de Bananal entrou em contato com a vítima para saber o desdobramento dos acontecimentos e sua recuperação.

Leandro, que tem um filho de 7 anos, se emocionou ao contar o choro da irmã e a reação de sua mãe ao vê-lo desfigurado no dia da agressão. As mãos dela tremiam ao abraçá-lo. Em desespero,  ela repetia que, "por pouco" não mataram o seu filho.

Ao longo dessas duas semanas de recuperação as marcas no rosto começaram a desaparecer, mas a fratura nas costelas vem sendo a pior parte. "Os primeiros dias foram muito difíceis.  Não conseguia encontrar posição para dormir" disse ele. "Nunca tinha quebrado nada e qualquer movimento era uma dor imensa", relembra.

A fratura ainda limita seus movimentos. Ele, que é vendedor e depende de comissão, pretende voltar à rotina de viagens o quanto antes. Por enquanto, foi designado a fazer serviços internos na empresa.

À reportagem ele demonstrou uma surpreendente superação do ódio, tão comum a casos semelhantes. "Eu só quero justiça, para que não aconteça com outros o que aconteceu comigo. Bananal é uma cidade pacata. Todo mundo se conhece. Esse tipo de coisa não pode acontecer aqui. Tenho Deus no coração e evito sentimento de vingança, mas não abro mão de querer justiça", ressalta ele.

Leandro revelou que já cruzou com seus agressores recentemente em locais públicos: "Eles me vêem e abaixam a cabeça. Acho que se deram conta e sentiram o repúdio das pessoas contra o que fizeram comigo".

Conscientização sobre a violência

O caso de Leandro pode ser emblemático para a vida em sociedade que pretendemos manter para nossas gerações futuras.

É um fato que transcende a ocorrência em si e merece reflexão sobre como se dá o "start" da violência numa pequena cidade de interior. 

Qual o grau de conscientização que pretendemos atingir para que Bananal não incorra nos erros de outras localidades que perderam seu sossego por temer e ignorar fatos assim, fazendo da omissão combustível para a escalada crescente da criminalidade?

Ficar quieto e "deixar pra lá" é tão mais cômodo e menos perigoso, não é mesmo?

Qual a verdadeira capacidade das instituições (imprensa, inclusive) em coibir isso?

É a resposta que Leandro e tantas outras vítimas em potencial aguardam.



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Sobre Ricardo Nogueira

RICARDO LUÍS REIS NOGUEIRA, jornalista (Mtb. 32.204 RJ), foi um dos fundadores do jornal, atuando como Diretor Executivo e Redator Chefe desde 1987. Atualmente, é o Editor Responsável da Gazeta de Bananal e coordena o projeto do portal eletrônico do jornal na internet.